O Jogo da Imitação (2014)



Se passando em três épocas, "O Jogo da Imitação" é pensado de modo a constituir a personalidade de seu protagonista e mostrar no que resultou todo o desenrolar do projeto no qual ele trabalhou durante a segunda guerra mundial, e que mudou por completo o destino da mesma.
Nessa história baseada em fatos, o cineasta norueguês Morten Tyldum relata a ação de um grupo de cientistas em uma batalha diária contra o relógio, pra tentar decifrar o código utilizado pela "Enigma", uma máquina criada pelos alemães pra criptografar suas mensagens.
No centro da trama estava Alan Turing, cientista do qual seus dilemas pessoais são interesse do diretor revelar.



Os méritos das produção de imediato fazem do filme algo de visual interessante, ao mesmo tempo em que o tom de enredo com ares de espionagem também facilita apreciação.
Já o personagem Alan Turing, na interpretação de Benedict Cumberbatch parece uma variação de algo já visto.
É ele quem se propõe a encontrar uma solução pra "Enigma" e em suas primeiras cenas não deixa sair da mente o Sherlock Holmes do seriado inglês que protagoniza ao lado de Martin Freeman.
O roteiro vai lhe permitir algumas chances de incrementar o personagem e se tornar único, pois Turing é apresentado com uma personalidade que passa de completamente insuportável e falsamente carismático, a frágil e vitimado pelo contexto.
Isso não digo no intento de desmerecer o que ele realizou, ou o quanto ele sofreu com a opressora sociedade da época. Mas sim na forma de registro de uma construção do personagem superficial e conveniente, com cara de filme pra comer pelas beiradas nas listas de indicados nas premiações, mas nunca tendo reais chances de ser favorito a coisa nenhuma, porque assistindo ele, o que se destaca é apenas o quanto consegue ser comum e raso.
Bem atuado pelo Cumberbatch, mas no entanto de diálogos que sacrificam a integridade da história, O "Jogo da Imitação" faz de seus maneirismos uma regra.
Os elementos dramáticos apenas existem sem que funcionem porque simplesmente são raríssimos os momentos em que o a trama narrada é convincente, com as respostas ágeis e frases prontas, além dos clichês a todo instante e o humor inofensivo.
Sorte que a história na qual o filme se baseia é suficientemente interessante e relevante apesar das escolhas simplistas do cineasta, que mesmo contando com um elenco de renome soube apenas contar um sitcom biográfico, diminuindo os sacrifícios da vida de Turing, que é considerado o pai do computação, algo que é parte do que o filme se propõe a apresentar.



Apesar de ter nos créditos de elenco a Keira Knightley interpretando o interesse de Turing, Joan Clarke, ela, do mesmo modo que Matthew Goode, Rory Kinnear, Charles Dance, Mark Strong, e todos os demais sofrem da mesma dificuldade que Cumberbatch em sobrepujar os diálogos terríveis pra desse modo terem atuações no nível que lhes é habitual.
Próximo do ato final, quando o filme começar a engrenar, ele enfim vai apresentando um fiapo de intensidade dramática, o qual teria que acontecer lá no começo, pra conseguir crescer e desencadear um desfecho verdadeiramente interessante.
O que mais surpreende é que, tanto a história envolvendo espionagem, na tentativa de derrotar Enigma, quanto o drama particular de Alan Turing, poderiam render cada um dos enfoques um filme forte e merecedor de indicações a Oscars e similares, caso bem desenvolvidos.
Enquanto isso, "O Jogo da Imitação" reúne os elementos na mesma pilha e desperdiça o potencial de ambos, restando a atuação de seu protagonista, e algum momento ou outro em que mesmo diante de uma direção tão preguiçosa a profundidade da história real se destaca.
Mas ainda que conte uma história de vida que nem a de Turing, e os percalços pelos quais passou, isso não justifica chamar de bom um filme tão didático e constrangedoramente enjambrado pra comover plateias com artifícios canastrões que nem é o caso do trabalho do Morten Tyldum.


Era com certeza uma história que merecia ser contada na forma de uma produção com qualidade pra frequentar premiações. O que se esperava que não ocorresse é que isso fosse feito apenas por formalismo e opiniões modorrentas dos jurados.
"O Jogo da Imitação" não é nenhum filmaço. Não é nada que deva ficar registrado na memória por muito mais tempo depois que as legendas antes dos créditos finais relatem o destino dos seus personagens.
É só um telefilme de grande orçamento superestimado, e que por algum motivo foi acidentalmente lançado nos cinemas, e que a cada tantos minutos acerta alguma cena que traduz minimamente a intensidade de um filme biográfico.
Uma reciclagem de uma fórmula batida, que mais uma vez comprova sua ineficácia em produzir um filme, e eficiência em vender hype.



Quanto vale:


O Jogo da Imitação. Recomendado para: quem curte abraçar o hype de listas de premiações.

O Jogo da Imitação
(The Imitation Game)
Direção: Morten Tyldum
Duração: 114 minutos
Ano de produção: 2014

Gênero: Drama

Uns quantos outros indicados ao Oscar 2015 estão resenhados NESSE LINK.

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