Da série "Ninguém curte, só nós" - Metalstorm



Sabem aqueles filmes, livros e HQs que você não ousa recomendar nem mesmo para o seu mais ferrenho inimigo, mas sabe-se lá por qual razão freudiana, no seu inconsciente, você nutre um carinho especial por tal porcaria?

Pois é, pensando nisso, o nosso blogue inaugura a série Ninguém curte, só nós, que é o espaço voltado para tecermos comentários elogiosos a qualquer manifestação artística que todo e qualquer ser vivo vertebrado e com pelo menos dois neurônios em funcionamento, odiaria do fundo do coração.


A “obra-prima” de estreia desse novo elemento no blogue é o longa-metragem Metalstorm, produção de 1983 e dirigida pelo Charles Band. Aliás, é sempre pertinente lembrar que onde há o nome Charles Band, certamente haverá um filme fuleiro em vista, fato esse que faz eu ser um fã desse (pseudo) cineasta.

Metalstorm é o típico longa-metragem que, se for citado em uma rodinha de conversa entre cinéfilos, todos irão fazer uma cara de quem acabou de ingerir suco tangue misturado com óleo de máquina de costura. A produção é paupérrima e os cenários não ajudam, mas como eu (felizmente) não tenho bom gosto, confesso que o considero uma das grandes obras artística cometidas pelo gênero humano.

Metalstorm - The Destruction of Jared-Syn é o título original dessa maravilha, mas em nosso país ficou conhecido apenas como Metalstorm e foi lançada em VHS pela Everest Video, empresa que lançava no Brasil séries como Jaspion, Changeman e outros heróis oriundos da terra do sol nascente (quem se lembra da finada Rede Manchete, se recorda desses japoneses que sempre combatiam os inimigos em um cenário que, literalmente, eram uma pedreira).


Enfim... O roteiro de Metalstorm é tão primoroso que ele nunca revela onde e quando o filme ocorre. Sendo assim, a história não deixa bem claro se a trama acontece em um planeta distante ou se aquilo é a Terra após um holocasto nuclear. (OBS: Se esse filme fosse lançado por um cineasta mais celebrado, a galera prontamente iria afirmar que isso é uma ousadia, elogiando o fato de que as explicações não são entregues “mastigadinhas”).

Ainda sobre Metalstorm, aparentemente Charles Band quis pegar carona em Star Wars e Mad Max. Sendo assim, colocou nesse filme um visual remetendo a esses dois sucessos lançados naquele período. 
A respeito da sinopse dessa magnânima obra da sétima arte, pode-se afirmar que o roteiro acompanha a história de Dogen, interpretado pelo canastrão Jeffrey Byron que, pelo jeito, possui músculos faciais que conseguem apenas fazer uma eterna cara de assustado.

Dogen perambula pelos cenários pós-apocalípticos guiando um carro decrépito, uma sucata blindada que parece se desmantelar mesmo diante de um peidinho de velha. O personagem tem por objetivo caçar o vilão chamado Jared-Syn, que escravizou um grupo de mutantes - humanos com apenas um olho no melhor estilo cíclopes - e que ainda pretende conquistar de vez o planeta por meio de cristais mágicos que sugam a essência vital das pessoas.

E como Charles Band sabe que um romance tanga frouxa serve para movimentar qualquer trama (independente se a história ocorre em Marte, na Avenida Paulista ou em um mundo devastado), o protagonista encontra uma moça cujo pai foi assassinado pelos asseclas de Jared-Syn. Juntos, o casal deve encontrar uma máscara mágica que bloqueia os poderes maléficos do vilão.


Hoje essa pérola é encontrada nos torrents da vida em 2-D, mas reza a lenda, que na época do seu surgimento em 1983, ela foi lançada em 3-D. Naquele período, com a ascensão do vídeo-cassete, ocorreu uma espécie de febre 3-D e várias obras, principalmente produções canhestras como essa, foram lançadas nos cinemas nesse formato com o intuito de atrair mais público. Algo não muito diferente do que acontece atualmente, já que hoje a indústria, de alguma forma, precisa competir com a “baixari...” quero dizer... com os downloads.


Além disso, Charles Band acreditava que com esse filme tinha em mãos o próximo Star Wars e chegou, inclusive, a planejar lançamentos de HQs, brinquedos e etc. Até mesmo uma trilogia estava nos planos, mas para o azar (ou sorte) da humanidade, o projeto naufragou.

Apesar do injusto fracasso (sim, eu venero esse filme), Band não desistiu e montou a sua própria empresa, a Empire Pictures, que nos anos posteriores lançou maluquices como Re-Animator e outras franquias como Puppet Master.



Metalstorm - Recomendado para: Bem... Como eu não tenho inimigos, recomendo para os meus melhores amigos. (Pronto, agora eu tenho inimigos).
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2 comentários

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12 de junho de 2013 às 21:18 delete

Se tem interesse neste assunto, gente, recomendo fortmente este livro:

http://editora.estronho.com.br/index.php/cemiterio-perdido-dos-filmes-b-exploitation

Imperdível.

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12 de junho de 2013 às 22:12 delete

Valeu André... Vou pesquisar.

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