Ajuste de Contas (2013)



Não é pra enganar ninguém.
Não consigo acreditar que alguém fique esperançoso de ver nesse encontro dos intérpretes dos mais famosos pugilistas das telas qualquer coisa além de piadas recauchutando momentos vividos pelos personagens em seus grandes momentos cinematográficos.
Grudge Match nem faz o menor esforço pra ser diferente disso.
Não é a fórmula pra um filme intenso e cativante pela sua própria qualidade, mas claro que pode ser divertido. Lógico.


E tem um efeito muito nostálgico aguardar o enfrentamento dos ex-lutadores, que vivem uma preparação com ares de Rocky Balboa (digo, do último filme do Rocky, intitulado “Rocky Balboa”).
Escorado nisso, o roteiro que o diretor Peter Segal tem pra filmar copia isso e outros detalhes, jogando assumidamente com o saudosismo de quem assistiu os filmes que justificam existir esse filme de 2013.
Por isso, não se espante ao ver Sylvester Stalone reprisando o papel de Rocky Balboa, dessa vez com o nome Henry “Razor” Sharp, enquanto o endinheirado aposentado Billy “The Kid” McDonnen que Robert De Niro interpreta, tem bastante do Jake LaMota do clássico Touro Indomável (Raging Bull).
E meio que o filme acabou.
Desde o começo pretenso documental com um CG pastelão rejuvenescendo ambos aos tempos em que trocavam mãozaço na cara um do outro no ringue, até o confronto final no chamado Grudgement Day, tudo é precisamente o que qualquer um imagina que vai acontecer.
Afinal, “Ajuste de Contas” é só uma história meio-família com uma moral da história, e nenhuma ideia própria.



Kid vive o drama do próprio Balboa no último filme da franquia, com a necessidade de aproximação com o filho B.J. (Joe Bernthal), enquanto resta pro falido Razor cenas contracenando com Kim Basinger que em muito lembram momentos de Rocky e Adrien.
Inclusive, o treinador interpretado pelo Alan Arkin reencena o célebre Mickey (Burgess Meredith) do "Rocky: Um Lutador", de 1976.
Además, algumas sequências de constrangimento alheio colocam a dupla de velhos mais rabugentos em sintonia com o humor pastelão que é o melhor que o roteiro consegue apresentar, na maior parte das vezes fazendo uso dos personagens de Arkin, Kevin Hart, e o neto infante do personagem do Robert DeNiro.



Mas claro.
É um filme de boxe. O que importa tudo isso acima se as lutas podem compensar?
Mas elas não compensam nada.
E isso é engraçado porque nesses tempos, pelo menos o Stalone tem se especializado em retornar ao cinema de ação que o consagrou, com resultados rentáveis e até divertidos (às vezes).
Em Grudge Match, nenhuma cena de ação empolga.
As piadas idem.
E jamais parece que vai vir um grande momento do filme daqui a pouco, o que apenas deixa mais complicado assistí-lo, quando o resultado é completamente incapaz de ao menos se fingir relevante.
Nem ao menos o tanto de relevância que um blockbuster precisa, que é fazer valer as cenas vistas no trailer.
Nada.


Até entendo que o pessoal não tava afim de filmar um novo Touro Indomável, e ninguém ficou muito tempo envolvido no roteiro, que era “só” uma comédia com o Stalone e o DeNiro.
Só que, se era pra ficar só nisso, eles poderiam pensar em melhores usos pra $40  milhões.
A oportunidade de reunir os dois maiores pugilistas do cinema foi utilizada.
E teria sido melhor se isso não tivesse acontecido.



Quanto Vale:


Ajuste de Contas. Recomendado para: assistir uma oportunidade devidamente desperdiçada pelo cinema.

Ajuste de Contas
(Grudge Match)
Direção: Peter Segal
Duração: 113 minutos
Ano de produção: 2013
Gênero: Comédia/Drama

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