Django (1966) - Um clássico do faroeste italiano


Tenho para mim que se um indivíduo olhar um longa-metragem do Quentin Tarantino, ao mesmo tempo em que bebe um gole de cerveja quando se depara com alguma referência a filmes antigos e obscuros, o referido indivíduo entrará em coma alcoólico.

O que esse cineasta faz é colocar em cada cena por segundo elementos de filmes B e reunir tudo em uma embalagem mais moderna.

E isso é um demérito? Na minha humilde opinião, NÃO. Até porque ele não é o primeiro e nem será o último a rechear os seus filmes com links para outras obras. Vale destacar também que o cineasta consegue unir de forma deveras divertida todos esses elementos em filmes bem bacanas. Além disso, essa junção de referências (plágios, homenagens, chamem como bem entender) pode ser um atrativo para a geração "pós-pulp fiction" descobrir que existe vida intelingente antes do Quentin Tarantino.


E o mais recente trabalho do “mestre do control C + control V” é Django Unchained, que já no título já traz referências a dois filmes: O western spaghetti Django (1966) e a uma épica produção italiana chamada Hercules Unchained (1959).

Como eu ainda não assisti a Hercules Unchained, o foco dessa postagem é o western spaghetti Django, protagonizado por Franco Nero e dirigido por Sergio Corbucci.

Quando o assunto é faroeste italiano (ou western spaghetti), o nome que aparece na mente é do diretor Sergio Leone, até porque foi esse senhor que deu ao mundo o clássico Três homens em conflito e outras pérolas do gênero. Porém, o nome Sergio Corbucci merece também um lugar ao sol, já que ele é o diretor de dois excelentes filmes: O Grande Silêncio e esse Django, que está na lista da maioria dos seres vivos que idolatram filmes de cowboys (pelo jeito o Tarantino é um desses apreciadores).


Django é o longa-metragem que possui todos os ingredientes que constituem um faroeste de respeito. Ou seja, o filme apresenta generosas doses de violência, crueldade, vingança e, obviamente, tiroteios e cadáveres espalhados pelas cenas. Some isso aos ambientes desoladores das cidades e a exuberante fotografia.

Aliás, o bang bang italiano, como também é chamado esse gênero, surgiu nos anos 60. Tais filmes se diferenciavam dos faroestes feitos em solo norte-americano em muitos aspectos. Eram filmes, digamos assim, mais “sujos”, muitas vezes protagonizados por anti-heróis desprovidos de escrúpulos, bom senso e, no caso de Clint Eastwood no filme Três homens em conflito, desprovido até de nome. 

A vingança, nos roteiros desses filmes, era um elemento constante e, nesse caso, Django não fica para trás.
O sucesso de Django foi tão avassalador que surgiram dezenas de outros filmes com o nome do protagonista, porém nenhum deles (eu ainda não vi o do Tarantino) chega à sombra do original (o nome do protagonista é até uma alusão a um músico de jazz europeu chamado Django Reinhardt).

A trama é simples, mas é narrada com uma competência que faz até muitos daqueles chatos que “reclamam de roteiro rasos” se renderem ao enredo. No filme, Django, que arrasta um caixão, chega até uma localidade praticamente deserta. Como se trata de um faroeste (e italiano) ele logo envolve-se no meio de um conflito entre mexicanos revolucionários liderados pelo General Hugo e os fanáticos sulistas da Ku Klux Klan do Major Jackson.


O objetivo do cara é vingar a morte da esposa e, de quebra, faturar uma grana em cima dos mexicanos.
A fotografia ficou a cargo de Enzo Barboni e a trilha sonora sob a responsabilidade de Luís Enriquez Bacalov.

O elenco de Django conta com Loredana Nusciak, José Bodalo, Eduardo Fajardo e Angel Alvarez, mas o destaque foi Franco Nero, que antes apareceu como coadjuvante no filme La Ragazza in Prestito (1964), mas após Django, logo foi alçado a astro. Nero já atuou em quase 150 filmes. Tá certo que o cara participou de tralhas como Ninja - A Máquina Assassina e o destrambelhado O Tesouro do Óvni, já comentado aqui no Satélite.


O longa-metragem Django obteve um significativo sucesso e se tornou objeto de culto, porém o excesso de violência (arrancar orelhas, chicotear damas, esmagar mãos e outras atrocidades nada saudáveis) fez o filme ser banido na Inglaterra até o início dos anos 90.

Em 1987, Django teve uma sequência, ainda com Nero no elenco, porém na direção estava Nello Rossati. A sequência não teve a mesma repercussão do primeiro, que ficou cravado na cultura pop e o “arrastar de um caixão” inspirou até mesmo um filme erótico nacional, o amalucado Um Pistoleiro Chamado Papaco.

Esse longa-metragem, lançado em 1986 sob a direção de Mário Vaz Filho, faz parte do ciclo de filmes nacionais produzidos pela Boca do Lixo de São Paulo.

No filme, o tal pistoleiro Papaco vaga pelo “Oeste” carregando um caixão tal e qual o Django oriundo da Itália. Papaco foi interpretado por Fernando Benini, que atuou em vários filmes do período e inclusive era presença marcante nas pegadinhas do Sílvio Santos. Atualmente Benini faz parte do elenco da novelinha fofinha e engraçadinha... Carrossel (putz!!)

Django Unchained
Eu aprecio muito as produções cinematográficas do Tarantino, no entanto, não sou daqueles que considera o cara um gênio em pessoa, pois sei que ele não inventou a roda, descobriu a América e descansou no sétimo dia. 

Eu sei apenas que ele é um cineasta que passou boa parte da vida devorando filmes do Bruce Lee e outras produções consideradas “menores” por alguns arautos do bom gosto, mas que hoje, com habilidade, sabe reaproveitar esses elementos em filmes divertidos.


Eu ainda não vi o Django do Tarantino, porém espero que seja tão empolgante quanto o Inglorious Bastards (título em inglês de um longa-metragem italiano do Enzo G. Castellari, lançado em 1978) e o Cães de Aluguel (praticamente um xerox do filme asiático City on fire, lançado em 1987).
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5 comentários

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Anónimo
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11 de janeiro de 2013 às 17:05 delete

E aí Fernando...

O Cães de Aluguel é cópia descarada desse filme aí o City On Fire. Kill Bill lembra muito o "A noiva estava de preto". Já em "A Prova de Morte", a cena das gurias espancando o marginal possui a mesma coreografia da cena do Supervixens, aquele do Russ Meyer.

Aliás, falando em Kill Bill, a cena do escalpo é idêntica a cena do filme Lady Snowblood. Dizem até (aí já não sei) que uma das cenas do Kill Bill lembra muito a uma cena de algum filme do Lucio Fulci. Falando nisso, bem que poderia ter aí no Satélite algo relacionado ao Fulci. Será que rola?

Thiago

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11 de janeiro de 2013 às 21:03 delete

Thiago

O Lucio Fulci em breve aparecerá aqui no blogue. Aguarde e verás.

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Anónimo
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11 de janeiro de 2013 às 22:52 delete

Fernando

Eu também acho o Tarantino superestimado, mas o Bastardos Inglórios, principalmente do final.

Isadora

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Anónimo
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11 de janeiro de 2013 às 22:53 delete

* mas eu gosto do Bastardos Inglórios, principalmente o final.

Isadora

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Anónimo
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13 de janeiro de 2013 às 21:52 delete

Fernando...

O Terence Hill também chegou a interpretar o Django.

Thiago

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