Arquivo: Albert Pyun

Albert Pyun
No presente cenário cultural, podemos facilmente verificar a proliferação de criaturas que, talvez influenciados pelo Big Bang Theory, possuem fobia a mulheres e sentem pruridos diante da violência nos filmes do Dolph Lundgren. Tais criaturas, classificadas pelos cientistas de “geração nerd cueca frouxa”, são indivíduos que sabem tudo sobre o laptop mais avançado da Apple, porém são capazes de confundir um vídeo-cassete com um forno microondas e acham o Kung Fu Panda a coisa mais fofucha.

Cena do filme A Espada e os Bárbaros
Diante da atual conjectura, o Satélite Vertebral, com o intuito de elucidar essa nova geração e livrar esses jovens imberbes do lado bunda mole da força, traz aqui o Arquivo Albert Pyun. O objetivo é tecer breves comentários acerca desse prolífico cineasta havaiano, que desde os anos 80 produz filmes de baixo orçamento e faz os arautos do bom gosto sentirem um nó nas tripas.
Por isso, com orgulho, revelamos aqui:

Tudo o que você quis saber sobre Albert Pyun, mas nunca teve tempo para perguntar porque estava jogando Nintendo Wii.

Albert Pyun, nascido no dia 19 de maio de 1953, depois de Cristo e antes do video game Atari, ingressou no mundo do cinema durante a década de 60, quando filmava curta-metragens em formato Super 8 (aviso para essa geração “nerd cueca frouxa” que aqui o termo Super 8 não se refere a nenhuma equipe de super-heróis constituída por 8 integrantes).



Posteriormente, Pyun foi convidado pelo ator nipônico Toshiro Mifune a estagiar no Japão. Lá na terra do sol nascente, o jovem aprendiz foi aluno do diretor de fotografia Takao Saito, um dos mais importantes colaboradores do mestre Akira Kurosawa.

Anos 80

                                       
   
A estreia oficial de Albert Pyun como diretor foi aos 29 anos de idade em 1982, com a aventura A Espada e os Bárbaros. Esse filme, de baixo orçamento, foi lançado no mesmo ano do “endinheirado” Conan, protagonizado pelo ArnoldTerminatorSchwarzenegger. As duas produções tiveram boa repercussão e, nos anos seguintes, geraram uma onda de filmes assemelhados, criando assim praticamente um subgênero chamado Sword and Sorcerer.

Apesar da grana curta e o roteiro simples que nem feijão e arroz, esse primeiro longa-metragem de Pyun apresenta convincentes efeitos especiais e, para o desespero dos cinéfilos “sérios”, é hoje um filme objeto de culto.

Ainda nessa década, o diretor realizou um considerável número de tranqueiras, uma mais divertida que a outra e geralmente voltadas para a ficção científica. Alguns desses trabalhos foram em parceria com a saudosa Cannon Films (leia mais sobre ela aqui, no Satélite). Dentre os trabalhos, vale destacar o pós-apocalíptico e estapafúrdio filme Viagem Radioativa (1985), Alien from L.A. (1988) e o famigerado Cyborg - O Dragão do Futuro (1989), protagonizado por um Van Damme ainda em ascensão.


Talvez os nerds de hoje, acostumados com as milionárias produções do Michael Bay, que possuem um orçamento exorbitante capaz de rivalizar com o PIB da Guatemala, não saibam que o filme Cyborg é um dos melhores exemplos de como um diretor pode fazer muito com tão pouco.

Cyborg foi lançado quando a Cannon Films não tinha dinheiro nem para comprar um X-bacon na lancheria da esquina. Naquele período, a situação financeira da empresa estava tão drástica que o filmes Mestres do Universo 2 e Spider Man tiveram que ser cancelados. 

Com o dinheiro, o cenário e os figurinos não aproveitados nessas duas “super produções” que não saíram do papel, sobrou para o nosso mestre Albert Pyun fazer alguma coisa. E assim ele dirigiu, com míseros 500 mil no bolso, o filme Cyborg.


Essa trama pós-apocalíptica (um dos temas preferidos desse cineasta havaiano) foi roteirizada por Kitty Chalmers e mostra a história de Gibson (Jean Claude Van Damme) que deve proteger uma cyborg que carrega na cabeça, ou melhor, no HD interno, a cura para uma praga que está a dizimar a humanidade e só pode ser sintetizada em um laboratório de Atlanta.

Vale lembrar que o Van Damme caiu nesse filme de pára-quedas, já que a primeira alternativa para interpretar o protagonista era, advinhem, Chuck Norris.

Resumidamente, Cyborg é uma aventura simples e despretensiosa e funciona que é uma beleza.

Anos 90

                                               

Se na década de 80, Albert Pyun ficou impossibilitado de dirigir um filme do Spider Man porque a Cannon atolou as cuecas em dívidas homéricas, em 1990, o cineasta teve a honra de assumir a direção de um filme de super-herói. A produção em questão foi o Capitão América, uma aventura fuleira que exala tosquice em cada frame.

O filme do patriota mais famoso da Marvel foi produzido de qualquer jeito por Menahen Golan (um dos sócios da combalida Cannon Films) e pelo Stan Lee (sabe-se lá porque o cara se meteu em tal presepada).

O roteiro, escrito, ou melhor, regurgitado por Stephen Tolkin, segue um caminho diferente da HQ e reformula a origem de Steve Rogers e do seu rival Caveira Vermelha. Além disso, é possível contar nos dedos as cenas em que o soldado aparece vestindo o seu uniforme azul.


E o escudo, a principal arma de ataque e defesa do herói? Bem... Acredito que a equipe de produção achou um escudo de plástico no mesmo set de filmagem do Chapolin, ao lado da marreta biônica, e achou por bem utilizar nas filmagens.

No restante dos anos 90, Albert Pyun dirigiu filmes em escala industrial, entre eles estão algumas produções de “kickboxer”, há também uma franquia chamada Nemesis e outras ficções científicas baratas que iam direto para VHS, pois se dependesse dos “chatos detentores do bom gosto”, deveriam ir direto mesmo para a fogueira.

Anos 2000

                                               
 
O incansável Albert Pyun, para o bem e para o mal, entrou no século XXI dirigindo mais filmes. Uma dessas tranqueiras é o indefensável Max Havoc: Curse of the Dragon (2004), com o finado David Carradine no elenco. Além disso, tem também o interessante horror western Lef for Dead (2007), bem como o seu mais recente trabalho, o longa-metragem Cyborg Nemesis, protagonizado por “atores” que são verdadeiros ícones dos filmes B, o Kebin Sorbo (seriado Hércules) e o Michael Paré (Ruas de Fogo).


É bem provável que aqueles “nerds dente de leite”, que acreditam que o idealizador da Teoria da Relatividade foi o Sheldon, não sabem que Albert Pyun quase sempre teve que driblar adversidades como orçamento baixo, prazo apertado, produtores malas e todo o tipo de dor de cabeça que um diretor nunca deseja ter. 

Mas apesar de todos os percalços, o havaiano é um dos poucos nomes do cinema de gênero independente e de baixo orçamento atual que pode ser considerado um autor, dominando com total maestria a nobre arte de produzir... digamos assim... “bons filmes ruins”.

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4 comentários

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Milton Soares
AUTHOR
2 de fevereiro de 2013 às 14:05 delete

Legal o post. Só uma coisinha, se a estreia do cara foi mesmo em 82 e ele nasceu mesmo em 53, então são 29 anos e não 26, como informado acima! Detalhe insignificante, diante da preciosidade da matéria. Parabéns e avante!

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2 de fevereiro de 2013 às 14:53 delete

Milton...

Valeu pelo alerta. Apreciamos a sua participação e a correção foi efetuada!

Apareça por aqui sempre que puder.

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2 de fevereiro de 2013 às 16:31 delete

Muito massa!
Postagem nível fuck yeah de conhecimento geek.
Parabéns, meu caro Fernando.
Que a força esteja sempre com você.

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Tito
AUTHOR
5 de junho de 2016 às 22:44 delete

O filme com o Kevin Sorbo chama-se Tales of an Ancient Empire.

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