A Menina que Roubava Livros (2013)



Pensa bem. É a combinação perfeita.
Adaptação de best-seller, com historia que se passa durante a guerra, com viés humano, protagonizado por uma criança e voltado a lacrimejar o público.
Portanto, só de ver o título do filme “A Menina que Roubava Livros”, do diretor Brian Percival, existe uma parcela gigante de público disposta a investir 2 horas e 11 na produção.


Nesse drama de guerra, adaptação do livro do Markus Zusak, pelo roteirista Michael Petroni, em que a guerra quase não dá as caras, a menina Liesel, futura ladra (ela diz pegar emprestado) vai morar na casa do casal Hans (Geoffrey Rush) e Rosa Hubermann (Emily Watson), na Alemanha rumando pra desgraça por dar atenção pro que um tal Hitler esbravejava.

Nesse ínterim, a guria aprende a ler e percebe que, não importa o quanto um livro é legal, ler só ele sempre não é assim tão massa.
Então alternativas surgem pra que ela tenha acesso a novas leituras, enquanto o enredo traz as recauchutagens tradicionais quando um roteirista precisa jogar de vez em quando pra não deixar a trama na mesmice.
Todas elas vocês já viram antes.
Eu não vou mencionar pra que se por acaso vocês esbarrarem no filme nas vielas da internet, ainda haja esse mínimo de chance de se agradar com alguma coisa na produção. Mas adianto que envolver nazismo, e esse aprendizado pelos olhos de criança da loucura da guerra não é nem perto do impacto que poderia ter.

Aliás, no quesito técnico, o filme é muito caprichado. Fotografia equilibrada demarcando bem os diferentes ambientes, trilha sonora batida mas correta, ambientações perfeitas, e os etc que só servem mesmo se o roteiro, atuações e direção forem acima da média.
Mas ainda que o elenco faça o feijão com arroz que pelo jeito era o entendimento do diretor do que é ser dramático, isso não chega nem perto de ser o bastante.



O cineasta consegue desperdiçar cada mínima chance de não ser academicamente chato pra caramba, e assim todas as oportunidades de ser emocional passam batidas.
Tem muito peso em cada palavra proferida pela atriz mirim Sophie Nélisse.
Afinal, ela contracena com o Geoffrey Rush, e a Emily Watson. Além disso, esse é um filme em que se envolver com o drama da protagonista faz toda a diferença.
Mas é preciso muita boa vontade pra que isso aconteça.
E isso não tem a ver com o talento da menina, e sim com uma direção tão desacertada que faz lembrar de adaptações literárias que ganharam adaptações ruins em minisséries da Globo.
Uma série de recortes de momentos pretensamente dramáticos, que ganham um ar apressado e desconjuntado .
A trama no filme parece que não anda. Ela dá saltos.
Sem envolvimento, sobra mais tempo pra pensar na próxima cena, que muitas vezes vai passar a impressão que o filme está sendo visto pela segunda vez em uma semana.


Nos seus finalmente, o filme parece ter uma meia dúzia de finais falsos, em que o volume da trilha sonora do John Williams aumenta e se inicia um discurso com cara de pré-créditos finais.
Discurso da morte geralmente. Isso porque ela própria é o narrador do filme, e especialmente nessa parte final ganha muitas linhas do roteiro pra tentar devolver a dramaticidade ausente no desenrolar que várias vezes parece que vai deixar de ser anti-climático pra recomeçar do zero seu andamento.
A Menina que Roubava Livros” é o filme integrante da onda atual de se garantir em sucessos consolidados em outras mídias, e que algumas pessoas podem consumir com um saldo mais agradável por ser exatamente o que estão querendo assistir no momento, e não tem nada de errado nisso.
O problema é ser só isso.


Quanto vale:



A Menina que Roubava Livros. Recomendado para: um outro olhar sobre os traumas do nazismo, em um filme que pede pra ser esquecido.

A Menina que Roubava Livros
(The Book Thief)
Direção: Brian Percival
Duração: 131 minutos
Ano de produção: 2013
Gênero: Drama

Confere NESSE LINK outras críticas dos indicados ao Oscar 2014.

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