Uma Aventura Lego (2014)



Existe muito nas entrelinhas rolando ao longo de "Uma Aventura Lego".
No geral a gente falaria que é a moral da história, e tal, só que nesse caso, é de tal modo engendrado que excede a definição comum.
Parte disso é comprovado pelo fato de que, durante grande parte do filme, ele parece ser quase tão vazio de conteúdo quanto o interior do "crânio" de seus personagens abaixo do cabelo encaixado.
Mas claro, eu não começaria o texto dessa forma se em um determinado momento do longa-metragem as coisas não mostrassem ir além.



"Uma Aventura Lego", ou "The Lego Movie", no original, tem nome de produção caça-níqueis. De pegar franquia famosa, e buscar sua fatia dos $ que tão sempre à espreita nos bolsos dos incautos olhando cartazes aleatórios na entrada do cinema, ou no bolso dos adultos, no caso da criançada que tem o poder de muitas vezes definir a programação de cinema na ida ao shopping com os pais.

No entanto, devido a uma série de detalhes, o filme consegue se esquivar do rótulo fácil, e parecer antes de qualquer outra coisa, um filme inusitado, e por isso, claro, válido pra assistir antes de uns outros longas de animação.
E ele começa esquisito mesmo.
Quer dizer, é uma parodiazona de tantos filmes e convenções sociais, e tem um porquê. Confiem no que eu digo.
Seu protagonista, Emmet Brickowoski (dublado pelo Chris Pratt), é um cara nulo socialmente, que segue todas as regras. As úteis e as inúteis. Por isso, ele consequentemente torna-se um ninguém mesmo pras pessoas que ele curte chamar erroneamente de seus melhores amigos.
Essa parte do filme é que é meio inócua. Sem graça, e bem comum, porque traz o tipo de crítica tão reincidente que todo adulto já tá meio de paciência cheia pra rever se mostrada sempre do mesmo jeito.
E as primeiras amostras desse tema em "Uma Aventura Lego", não são nada muito original, apesar de o universo do filme permitir uma roupagem menos batida. Mas na essência é a mesma coisa.
As coisas começam a mudar com a chegada da personagem de nome variável dublada pela Elizabeth Banks, e que é a Trinity, do Neo que existe no Emmet.
Aí que o protagonista se questiona sobre o fato de ele poder ser o "Especial" da profecia, e as coisas ficam frenéticas. Meio que, frenéticas, mesmo.
Algo de sangrar as vistas com informações novas, easter eggs, referências, piadas bem sacadas, sutilezas, personagens multicoloridos, explosões de aspecto pixelado formadas por peças de plástico, e um beliche-sofá.
Quer dizer: é muito legal.



Então, de um certo modo, o próprio filme emula o que é a grande questão sobre o seu protagonista: de que tudo indica que ele não é especial, coisa nenhuma, e no fim, claro, haverá virtude nele.
Isso todo mundo sabe.

E o filme passa uma primeira impressão similar.
Da paródia, das referências, e de que a pirotecnia plástica (muito, mas muito legal e vertiginosa) será tudo que ele tem a oferecer.
Mas o filme dos diretores Phil Lord, e Christopher Miller cresce, e se torna cada vez mais envolvente.
Parte muito importante nisso é o trabalho dos dubladores, que trabalham com os diálogos casuais envolvendo salvar o universo, etc, mas com naturalidade, e suas interpretações fazem dos bonecos sem dedos tão humanos quanto os personagens do seriado "Flight of the Concords" (baita série, aliás. Se não assistiu, serão duas temporadas inesquecíveis de humor neozelandês).
Então, Morgan Freeman, Will Ferrell, Liam Neeson, Jonah Hill, Alison Brie, Cobie Smulder, Channing Tattum são só parte do elenco notável que tem uma parcela muito grande nos parabéns que o longa-metragem fez por merecer.
Porém, nem o visual impressionantemente divertido, ou a técnica de animação que funde stop motion com CG, ou a versão do Batman (com voz do Will Arnett) estrionicamente mais criativa de todos os tempos no cinema, e nem mesmo os tantos momentos de proporções grandiosas se equiparam ao plot twist, que não é exatamente novo na história do cinema, nem nada. Mas é utilizado no momento certo, e da maneira mais esperta que os roteiristas puderam encontrar, e que traz enfim a totalidade do significado a mais que "Uma Aventura Lego" contém.


Da mesma maneira que o protagonista, o filme inteiro carrega em si uma busca pelo que o diferencia.
O que o faz não apenas mais um longa-metragem de animação de visual modernoso.
E se por um lado existe uma demora em revelar pro público esse valor a mais (o que prejudica por um tempo apreciar a sessão a não ser pelas sequências entusiásticas de ação) quando ele se define uma obra inteligente, e não limitada ao que seus concorrentes no geral têm por regra, as peças se encaixam (desculpe por isso), e o transformam em um dos filmes mais divertidos de 2014, não só pras crianças. Não resumido a uma moral de história.
São ideias demais, que parecem quebrar as barreiras do próprio filme, ainda que sem privá-lo da coerência que seu universo amplo possui.
No mundo de "Uma Aventura Lego" tudo isso faz sentido, e não deixa de ser curioso que na era em que alguma nova criação tecnológica é vista por muitos como sendo suficiente pra compensar roteiros recauchutados, uma trupe de bonecos de raízes datadas tantas décadas atrás conseguiu o inesperado: fazer do "salvar o mundo" algo inventivo. Além do clichê.


Quanto vale:


Uma Aventura Lego. Recomendado para: diversão em larga escala.

Uma Aventura Lego
(The Lego Movie)
Direção: Phil Lord, e Christopher Miller
Duração: 100 minutos
Ano de produção: 2014
Gênero: Aventura/Comédia

Confere a crítica de outros indicados ao Oscar 2015 NESSE LINK.

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1 comentários:

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16 de dezembro de 2015 às 20:19 delete

Um filme de sucesso no gênero de animação. Definitivamente o meu personagem favorito é o Batman, interpretado por Will Arnett ,perfeito para disfruatrse com a família. Uma criança que gosta de hostoria do início ao fim.

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