Amnésia (2015)



Eu sinceramente não achava que ainda se faziam filmes que nem esse “Amnésia”.
Quem sabe apenas não chegassem ao meu conhecimento, óbvio.
Deve ter sido um equívoco da minha parte achar que produções na linha de Os Suspeitos fossem uma espécie de tendência atual, mais crua, e com menos pose de suspense que ficava só nisso, na pose.
Foi um erro, e assistir esse “Amnésia” (que não tem nada a ver com aquele “Amnésia” do Christopher Nolan), dentre outras coisas, ajudou a perceber isso.



Outra das lições ensinadas por esse filme do diretor Michael Polish foi a de que forma realizar uma sequência inicial de um filme.
Desculpem.
De que forma NÃO realizar uma sequência inicial de um filme.
Existe um limiar ainda confuso pra muito cineasta a respeito do que deve ser um longa-metragem de suspense.
Alguns acreditam que deve ser cadenciado e de pistas a cada tantas páginas de roteiro, enquanto outros insistem que deve ter correria, sangue e grito voando toda hora.
Independente da “escola” que você prefira, Michael Polish optou por frear seu filme desde o início, em uma série de recortes com cenas introdutórias morbidamente chatas e desinteressantes, demonstrando um fascínio em provocar sono na plateia de imediato, quem sabe pra comprar o desafio de acordá-la ao longo do filme.
Enquanto produção de baixo orçamento, “Amnésia” ainda consegue contar com dois quase astros de Hollywood, que falharam na tentativa de embarcar na onda de filmes de heróis.
Wes Bentley, que foi um rançoso Blackheart no primeiro “Motoqueiro Fantasma”, e Kate Bosworth, a Lois Lane menos lembrada, tal qual todo mundo daquele “Superman Returns”.
Apesar disso (ou por culpa disso), as caretas que ambos fazem nas cenas de pouquíssimos diálogos (e diálogos muito ruins, diga-se de passagem) contribuem demais pra uma sensação de “por que raios eu tô assistindo isso?”.



Falas jogadas a esmo pela personagem dela, e cara de quem não sabe nada, da parte dele, são tudo que o cineasta possui pra prender a atenção, porque não existe nem indício de que há um mistério a resolver, ou algo intrigante à espreita. Ele está na casa, quebrado, recebendo cuidados da parte dela, que na certa não é exatamente o que diz ser, mas não importa. O próprio filme faz isso não importar.
Cada comentário proferido pela Kate Bosworth extraído de algum livro ao estilo Guia dos Curiosos, sempre em ocasiões nas quais cairia bem algum indício de que a história vai andar, só a desacelera e afirma que a intenção é prolongar a monotonia pra que o longa-metragem não fique com menos de uma hora de metragem, e na verdade pareça ter muito mais que duas horas. A própria hora e meia de filme (incluindo os créditos) já levantaria suspeita de que não tem muito roteiro pra contar, mesmo.
Mas então, quem sabe fosse melhor aceitar a verdade de que não havia história nenhuma pra contar, ou revisitar o projeto somente quando alguém conseguisse tornar o fiapo de história (que vai ser contado todo lá pros últimos 15 minutos) em algo mais do que esse curta-metragem esticado.
A ideia parece ter sido filmar algo estiloso e de influências obtidas em filmes clássicos, mas nesse quase remake de “Louca Obsessão” a palavra estilo passa longe. A não ser que se considere o visual da casa e dos carros usados pelos protagonistas.
A atuação do Wes Bentley, reprisando o seu papel de olhar pra sacola plástica, fica ainda mais empacada pelo personagem passivo que protagoniza a trama, seguidamente desperdiçando chances de escapar e de falar algo que preste.
E isso tudo apenas não é pior que a trilha sonora em loop mortal de chatice sem fim, seja pela composição pobre ao piano, ou os clichês triviais preparados pra fingir que há momentos de tensão no filme.


Antes de realizar um filme de baixo orçamento, com poucos atores (são apenas oito creditados), e poucas locações, algo muito esperto da parte dos seus idealizadores é sempre encontrar alternativas criativas pra que o trabalho não fique de pés atados por isso.
Personagens marcantes, e diálogos injetando tensão no enredo, se já eram elemento fundamental, tornam-se questão de vida ou morte pro filme, e ao terminar o que deveria ser uma sessão de cinema rápida, fica bem claro que o diretor Michael Polish não apenas ignorou isso, mas também fez questão de errar em outros tantos pontos cruciais em seu facilmente esquecível “Amnésia”.
Um desperdício de tempo de todos envolvidos, e meu, que assisti isso.


Quanto vale:


Amnésia. Recomendado para: esquecer que assistiu.

Amnésia
(Amnesiac)
Direção: Michael Polish
Duração: 90 minutos
Ano de produção: 2015
Gênero: Suspense

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