Vingadores: A Era de Ultron (2015)



Quando questionado a respeito do que fazer em uma sequência do filme “Vingadores” (2012), o cineasta Joss Whedon aferiu que o caminho seria diminuir a escala. A princípio um filme menor e não cada vez mais grandiloquente em se tratando de ameaças e do teatro de destruição engendrado pelo vilão.
Não sei dizer até que ponto pode-se utilizar a palavra “menor” com relação a esse “Vingadores: A Era de Ultron”, mas uma coisa é certa: o olhar do roteiro está mais focado nos detalhes e estruturação dos personagens, o que não necessariamente é algo menor, mas sim mostra um objetivo mais direcionado às individualidades que compõem o todo, em detrimento do simples aumento do alcance dos ataques dos inimigos em cidades populosas.




Porém, mais do que uma sequência de franquia e sucesso, “Vingadores: A Era de Ultron” é o 11º filme de uma franquia maior que relaciona personagens variados, seriados, e que não fica restrita ao primeiro e segundo filmes da super-equipe da Marvel.
Vendo desta forma, apesar de o sucesso comercial ser algo óbvio (nada abaixo de $1 bilhão seria aceitável) as chances de um baque na confiança do público, no caso de esse novo filme-evento ser destruição redundante tal qual um “Transformers 2”,ou "O Hobbit: A Desolação de Smaug" era quem sabe o maior risco.

Os interesses manifestos de Joss Whedon indicavam um rumo diferente da cagada do Michael Baymas não adianta ficar proclamando interesses e na hora da sessão o filme entregue ser o oposto.
Vingadores: A Era de Ultron”, no entanto, apesar de um filme de pirotecnia fervilhante, no qual cada objeto de cena ou edificação corre severo perigo quando qualquer personagem está por perto, lembra de reservar várias das linhas de seu roteiro pra que seus personagens possam não ser os mesmos aos olhos do público, e saiam diferentes do que eram no início dessa nova aventura.
Um ponto de vista quase mundano, que mostra os super-heróis mais poderosos do planeta enfraquecerem em questionamentos e dúvidas catalisadas pela presença do novo nêmesis: Ultron (James Spader).
Curiosamente, a ousadia de se arriscar a “diminuir” um filme que na teoria teria que superlativar tudo no comparativo com seu predecessor, funciona a contento, e conhecer mais do passado dos heróis (com destaque para a Viúva Negra, e o Gavião Arqueiro) só colabora pra essa não ser uma aventura esquecível.
E isso seria fácil de acontecer se dependesse apenas do vilão Ultron competentemente interpretado pelo James Spader.
Mas não dizendo que o personagem é mal utilizado, ou desinteressante. Ele é sim uma força capaz de abalar os alicerces da equipe, mas desde o fato de ele ser fruto de uma cagada do Tony Stark, tendo jeito de problema surgido no episódio, até o seu aparecimento apressado na história, há muito que poderia frustrar os planos do Marvel Studios de estabelecer um novo filme consistente.
Os detalhes acima tiram qualquer chance de esse segundo longa-metragem ser chamado de épico, ou similares fomentadores de hype. Porém, o fator entretenimento é forte, e dessa vez mais dependente dos momentos de calmaria.



Obviamente, a batalha entre Hulk e Hulkbuster, o plano-sequência inicial, as cenas de enfrentamento contra infindáveis “Ultrons” e qualquer outra cena do Hulk, são peça essencial na trama, e não parecem estar ali pra cumprir cota de cenas de ação na produção. Elas existem em harmonia com o roteiro, e isso é sempre legal, ainda mais com os sempre excelentes efeitos especiais que não sobram em sobreposição ao elenco.
O que reduz o envolvimento, no entanto, é com certeza o desenrolar do plano de Ultron.
A vitória do núcleo heróico é sempre algo esperado, mas não custa deixar isso menos claro ao longo do enredo. Afinal, o mirabolante estratagema de Ultron não deixa dúvidas de que logo algo vai ser resolvido no último instante. Sem a incerteza da solução, acompanhar algumas sequências de embates torna-se mera formalidade para o espectador, que apesar do entretenimento imediato, não embarca na batalha final com o mesmo ar de surpresa e urgência que a batalha de Nova York do primeiro filme propiciou.



Ainda assim, as adições ao elenco rendem vários bons momentos, e o perigo do atropelo de personagens soar repetição dos erráticos “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, e “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro” se desfaz com Joss Whedon mais uma vez separando o tempo certo pra cada um mostrar a que veio. Dessa forma, os novos rostos de Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson), Visão (Paul Bettany), e Ulysses Klaw/Garra Sônica (Andy Serkis) estão devidamente e corretamente bem apresentados ao universo que Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) Capitão América (Chris Evans), Viúva Negra (Scarlet Johanson), Hulk (Mark Ruffallo), e Thor (Chris Hemsworth) integram com naturalidade.
O personagem Visão, principalmente, diz muito sobre esse plano bem elaborado pelo estúdio, e que transporta pro live-action seus personagens em profusão, de modo que o leitor habitual de HQs conheça versões dignas dos personagens icônicos, e que a plateia não afeita aos quadrinhos seja apresentada a heróis e vilões que podem agora ser empregados em futuras produções sem causar estranhamento.
O humor, novamente afiado, mantém uma mais densa trama com um pouco mais de leveza e momentos hilários tais quais a cena do concurso do Mjolnir, a aparição do Stan Lee, ou falas isoladas, que completam um quadro equilibrado apesar de falhas pontuais.



De qualquer forma, ao final do filme, ainda que Ultron seja mais um ameaçador inimigo de ocasião, a segunda aventura da super-equipe deixa uma certeza de que o Marvel Studios ainda sabe bem o que está fazendo.
Vários elementos são adicionados mantendo expectativa alta pro que vem por aí na Guerra Infinita, e no filme do Pantera Negra e outros ganham aprofundamento, com exemplo principal no personagem Hulk, o qual ganhou na interpretação de Mark Ruffallo para o Dr. Bruce Banner, e em sua contraparte digital, uma versão próxima de algumas das melhores HQs do personagem, seja nas várias cenas de destruição incontida do gigante, ou na sutileza de diálogos do cientista.
Os links a outros vindouros filmes estão espalhados por todo canto, não repetindo os problemas do desperdício de oportunidade que foi “Homem de Ferro 3”, por exemplo, mas sim fixando outro importante degrau nessa que é a maior franquia da história do cinema, e que teve início no longínquo 2008 com o primeiro “Homem de Ferro do diretor Jon Favreau.



Quanto vale:



Vingadores: A Era de Ultron. Recomendado para: uma dose de entretenimento que pode ser mais despretensiosa ainda que seu predecessor, mas nem por isso é inútil.

Vingadores: A Era de Ultron
(Avengers: Age of Ultron)
Direção: Joss Whedon
Duração: 141 minutos
Ano de produção: 2015
Gênero: Aventura/Ação

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