Lucy (2014)


O mais bacana de ler revistas em quadrinhos de super heróis é aceitarmos que certas leis científicas só existem mesmo no mundo real e nas precisas equações do Isaac Newton. Ora, sabemos que na realidade um homem não pode correr na velocidade da luz, bem como sabemos que a picada de uma aranha radioativa não oferece grandes poderes (nem grandes responsabilidade) para ninguém, mas ainda assim nos desprendemos das amarras da vida real e embarcamos na criatividade dos roteiristas. 

Tal premissa de desprendimento da realidade vale também para o longa-metragem Lucy, em que o roteiro do francês Luc Besson explora o mito de que a raça humana utiliza ínfimos 10% da capacidade cerebral


Aliás, falando nisso, Besson é talvez o menos cerebral e mais hollywoodiano dos cineastas franceses. E isso, acreditem, não é nenhum demérito, pois abraçar o cinema de gênero não é e nunca deve ser motivos para algum diretor se sentir o estrume do cavalo de bandido. Luc Besson, a título de curiosidade, até que possui em seu currículo filmes divertidos, tais como o excelente O Profissional, o injustiçado e praticamente desconhecido As Múmias do Faraó, a frenética trilogia Carga Explosiva, bem como O Quinto Elemento, uma ficção científica com cenários que parecem ter pulado de alguma história em quadrinhos ilustrada pelo Moebius.

Lucy é mais um trabalho que entra para a extensa lista de filmes-pipoca desse (amado e odiado) cineasta.
Na trama, temos a protagonista Lucy (Scarlett Johansson), moça que é forçada, pelas agruras do destino, a atuar como mula do narcotráfico. Nessa fatídica missão, a coitadinha é obrigada a carregar uma droga experimental que, ao ser absorvida pelo organismo dela, oferece a ela capacidades acima dos limites humanos. Aliás, “acima dos limites humanos” nesse caso é um eufemismo, já que Lucy, com suas capacidades cerebrais elevadas ao máximo, se torna praticamente uma cruza de Mulher-Maravilha com Jean Grey. A guria não apenas adquire o dom de acumular informação de forma imediata, bem como ganha poderes telecinéticos e capacidade de não sentir dor.


Nesse processo, entre uma cena de ação e outra, é interessante ver que a personagem, ao se sentir superior aos seus semelhantes, gradativamente apresenta a possibilidade de perder o seu senso de humanidade tal qual o Dr. Manhattan em Watchmen. Tal premissa faz também gradativamente o roteiro viajar para um terreno mais metafísico, o que para muitos pode ter um ar de pretensão excessivamente didático, mas para mim tornou a coisa toda mais divertida.

Sobre as cenas de ação, é até interessante ver uma Scarlett Johansson com um visual casual surrando os seus desafetos. Ou seja, ela repete a sua implacável Viúva Negra que vemos perambular pelas produções da Marvel, porém com o dobro da força e ainda assim vestida como aquela sua amiga que vai para a universidade de camiseta e calça jeans. Aliás, as cenas de ação, que focam em movimentos que desafiam as leis da física, são feitas com esmero e bons efeitos especiais.


 
Sobre o elenco, se Scarlett Johansson transforma a sua personagem em uma protagonista de peso, já o Morgan Freeman, por outro lado, é aproveitado apenas como um coadjuvante de luxo, que se limita a ser o cientista destinado a explicar as viagens pseudo científicas da trama, mas esse deslize ainda assim é pouco para prejudicar demais a obra.
 
Em suma, Lucy definitivamente é um blockbuster assumido, cinemão Mainstream com "M" maiúsculo, desses que não exige mesmo, com o perdão do trocadilho, pouco mais de 10% da nossa massa encefálica, mas ainda assim consegue ser um bom entretenimento.


Recomendado para: Quem quer assistir uma super heroína que não veio das páginas da Marvel/DC.



Filme: Lucy
Diretor: Luc Besson
Ano de lançamento: 2014
Gênero: Ação/Ficção Científica
Tempo de duração: 90 minutos
Previous
Next Post »